Sexta-feira, 24 de Março de 2006

“Navegar é preciso”

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: “navegar é preciso; viver não é preciso”.


Quero para mim o espirito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou:; viver não é necessário; o que é necessário é criar.


          Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma lenha desse fogo.


Só quero torná-la de toda a humanidade, ainda que para isso tenha de a perder como minha.


Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.


É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.


 


Fernado Pessoa, nota manuscrita pelo poeta, publicada pela primeira vez


na 1ª edição de Obra Poética, Edições Nova Aguilar

publicado por SSoldado_Lusitano às 17:54
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Sexta-feira, 10 de Março de 2006

Estudos e Estatisticas




A falta de condições nas prisões portuguesas continua a ser alvo de críticas internacionais. Segundo o relatório anual de 2005 sobre os Direitos Humanos, divulgado pelo Departamento de Estado norte-americano, a sobrelotação e as instalações deficitárias são alguns dos "problemas" que persistem nas cadeias nacionais. Outros são as más condições de saúde, casos das hepatites B e C, que atingem um terço dos reclusos, ou o VIH/sida, que infecta 14% dos detidos.

"As condições das prisões continuam deficientes e os guardas continuam a maltratar os prisioneiros", lê-se no capítulo do documento referente a Portugal. Em 2004, recordam os autores, o número de queixas de violação dos direitos humanos por parte das forças policiais atingiu as 276: entre elas, 166 contra a PSP e 94 contra a GNR. Números que corroboram o cenário de "relatos credíveis sobre o uso desproporcionado de força pela polícia" e de abuso dos guardas prisionais em relação aos reclusos.

Recorrendo a dados do Ministério da Justiça, o relatório frisa que só no primeiro semestre do ano passado morreram 55 pessoas nas prisões portuguesas: destas, 49 morreram sem uma doença específica e seis cometeram suicídio.

Embora sublinhando o esforço do Governo para "melhorar a situação", o documento não deixa de chamar a atenção para as questões da prisão preventiva, durante a qual ocorreu um terço do número total de mortes registadas. Os autores reconhecem que o tempo médio das detenções preventivas diminuiu - de 26 para oito meses -, mas lembra que um quinto dos preventivos passa mais de um ano detido.

Os autores admitem certas melhorias, mas lamentam que "a maioria das orientações e propostas legislativas de 2004" com vista à reforma do sistema prisional não tenham sido postas em prática. A nível dos tribunais, a tónica vai para a "falta de pessoal, as restrições orçamentais, os atrasos nos julgamentos e a falta de informatização" - "problemas sérios que contribuem para a ineficácia" do sistema.

A violência doméstica e os maus tratos infantis - com referência ao processo da Casa Pia -, e o tráfico de pessoas, sobretudo do Leste, para trabalho forçado e exploração sexual, são outras falhas apontadas.


 


Saliento ainda estas estatísticas do Min. Da Justiça, que nos fornece dados acerca dos imigrantes nos serviços prisionais, onde se nota um crescimento, mesmo com múltiplas leis de nacionalidade aprovadas na Assembleia da Republica.


31 de dezembro de 2004





 

publicado por SSoldado_Lusitano às 13:15
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Sexta-feira, 3 de Março de 2006

Opiniões


Apesar do autor do blog não concordar totalmente com a opinião abaixo, pois não é feita alusão, a uma possível adopção de uma política natalista em Portugal, é aqui (re)publicado a análise da economia portuguesa pelo presidente do Montepio Geral, destacando-se a frase "Somos descuidados na entrada de imigrantes", créditos Diário de Notícias


 


José da Silva Lopes defende que deve haver em Portugal um maior controlo da imigração ilegal em Portugal, um fenómeno que, de acordo com o economista, está a provocar mais danos do que benefícios à economia do País.

Reconhecendo que "tal como outros países europeus precisamos de imigrantes", o presidente do Montepio Geral lembra que nos países mais desenvolvidos, onde a população tem grande capacidade profissional, educação e formação, é preciso emigrantes para fazer as tarefas menos qualificadas, algo que não acontece actualmente em Portugal.

"Começamos a ter uma oferta de mão de obra portuguesa não qualificada bastante grande, proveniente das empresas têxteis e calçado que fecharam. Infelizmente essas pessoas não têm capacidade para ir para empresas de maior sofisticação tecnológica. E por isso, estão em concorrência directa com os imigrantes não legalizado", explica o economista, que, por isso, não tem dúvidas em afirmar que "somos descuidados na admissão de imigrantes ilegais".

Silva Lopes considera ainda que na maior parte dos casos "estamos a importar miséria" e que "não fizemos nada para atrair mão-de-obra de qualidade". "Vemos países como a Alemanha ou os EUA, que estão cheios de engenheiros e mesmo assim andam à procura de chineses e indianos de grande categoria. Nós não fizemos nada para que isso acontecesse. Pelo contrário, pomos todas as obstáculos possíveis", afirma.

E apresenta um exemplo concreto deste tipo de obstáculos. "No Montepio, quisemos admitir para a análise de risco um técnico russo formado em Lisboa e que vive cá há vários anos, mas não conseguimos", conta o ex-governador do Banco de Portugal, lamentando-se pelo facto de existir uma legislação que só deixa admitir um estrangeiro para um lugar caso não haja um português interessado. "Considero isto um escândalo. Não só não estamos a fazer um esforço para trazermos pessoas qualificadas, como andamos com proteccionismos de portugueses qualificados mas medíocres."

A entrada de imigrantes é apontada por Silva Lopes como uma das razões por trás de um crescimento da população activa nacional que se situa próximo de 1,5% ao ano.

Em relação à evolução do desemprego, o economista também não se mostra muito optimista. "Gostava de dizer que o desemprego ia diminuir, mas penso que, pelo contrário, ainda vai haver uma subida", afirma, antevendo um cenário de crescimento económico fraco nos próximos meses, nomeadamente ao nível da procura interna. Para o presidente do Montepio Geral, a perda de competitividade gerada pelo aumento dos custos unitários do trabalho acima da média europeia deve ser tida em conta, mas "a competitividade não depende só dos custos do trabalho".

Outro problema que preocupa Silva Lopes é o da crescente desigualdade nos rendimentos que se verifica na população portuguesa. "Uma das questões importantes, que não tem sido muito debatida em Portugal, é a da distribuição de rendimentos que é a mais desigual da Europa", alerta o economista, assinalando que "o que se vê actualmente é que os produtos de luxo vendem-se com fartura, enquanto nos produtos de primeira necessidade temos problemas". "É esta a sociedade que queremos", questiona-se, respondendo que "no Brasil é assim, mas não gostava nada que tivéssemos uma estrutura de rendimentos igual à do Brasil".

publicado por SSoldado_Lusitano às 13:44
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Novembro 2006

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. Sugestões de Leste

. Algo mais...

. Reparos

. A Droga e o Governo

. Espaço Xenofobia

. Consequência

. Bom Ambiente

. Manifestações

. Um País anestesiado

. “Navegar é preciso”

.arquivos

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds