Sexta-feira, 15 de Julho de 2005

As fontes do Nacionalismo

Pela sua cronologia e pela importância dos seus efeitos, a Revolução Francesa foi a primeira a suscitar o nacionalismo moderno pelo menos de três maneiras. Em primeiro lugar, pela influência das suas ideias (...). A soberania da nação não é apenas válida na ordem interna, tem ainda consequências para as relações externas. O direito dos povos disporem de si mesmos é o prolongamento da liberdade individual e da soberania nacional. (...)


O segundo modo de influência da revolução prende-se com o exemplo dado pela nação francesa, que resiste à Europa coligada dos soberanos, mostrando o que pode o patriotismo. A Marselhana torna-se o hino dos patriotas de toda a Europa. Os jacobinos dos outros países sonham, por sua vez, libertar a sua pátria. (...)


Finalmente, a revolução actua pelas reacções que provoca, e foi talvez esta forma de acção que mais contribuiu para o despertar do sentimento nacional. Na Europa dominada pelos Franceses, sob administração francesa, sob a ocupação militar, em reacção contra as coacções de toda a espécie que ela impõe, como as requisições, o recrutamento, a fiscalidade, despertam, pouco a pouco, o sentimento nacional, a aspiração à independência, o desejo de expulsar os invasores. (...)


O fenómeno nacional procede, no século XIX, de uma segunda fonte que deve muito pouco á revolução, que nada toma da democracia ou da liberdade; é o “historicismo”, que inspira a tomada de consciência das particularidades nacionais. Se o nacionalismo saído da revolução está mais voltado para o universal, o historicismo acentua na singularidade dos destinos nacionais, a afirmação da diversidade, e propõe aos povos o regresso ao passado, a defesa dos seus particularismos, a exaltação da sua especificidade.


Esta segunda corrente está estreitamente ligada á redescoberta do passado, nomeadamente sob a influência do romantismo. Ao universalismo abstracto da revolução opõe as particularidades concretas dos passados nacionais, á abstracção racionalista e geométrica da revolução opõe o instinto, o sentimento e a sensibilidade. Fundado-se no conhecimento do passado e no culto das tradições, define-se pela história, pela língua e pala religião. (...)


Pode dizer-se do século XIX que foi o século da história e que o romantismo pôs em voga a cor histórica. (...) uma atitude relativamente nova do homem perante o passado grupo a que pertence. Ao mesmo tempo, ressuscita-se a língua nacional, na qual não se vê somente um meio de comunicação mas uma estrutura mental através da qual um povo conserva a sua alma.






Fonte RÉMOND, René, ob. cit. , pp. 238-9 (adaptado) Caminhos da História, 11ºano

publicado por SSoldado_Lusitano às 03:15
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