Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2005

É cultura?

Só os tontos é que chegam a horas


 


Desde que apanhámos esta mania de que a Europa é que é bom, tem vingado uma persistente política de destruição dos valores nacionais, a troco de uma cambada de mariquices importadas. É o caso do tinto vem sendo destronado por bebidas “light” e mixórdias de açúcar, são as tripas que passaram a raridade de museu, os restaurantes onde não se pode fumar e mais um rol interminável de desrespeitos ao túmulo de Afonso Henriques.


 


A ultima moda é implicarem com a questão dos horários. Que isto não pode continuar assim, que é uma vergonha porque em Portugal ninguém cumpre horários, que chegam tarde às reuniões, que damos mau exemplo aos gajos da estranja, e eu sei lá que mais tonterias.


 


Os propagadores destas ideias provam ser umas completas bestas quadradas e vê-se logo que não percebem nada do país, que infelizmente os teve de criar, pelos visto mal, porque estas coisa se atacadas logo na meninice com umas valentes cachaporras ficam curadas para sempre. O que se passa realmente, e que esta cambada ainda não entendeu, é que nós não somos nem desorientados, nem uns mal educados.


 


Antes pelo contrário. Basta desfolhar qualquer manual de boas maneiras e vem lá escarrapachado que nunca se deve chegar a horas a um jantar, a um casamento ou a uma festa. Os portugueses cumprem religiosamente estas normas, demonstrando estar no capitulo da etiqueta muito acima da maioria dos países. Quanto ao resto trata-se de um profundo erro de análise. Nós não chegamos atrasados. O que se passa é que ao longo de gerações desenvolvemos um código próprio de conduta, uma espécie de linguagem temporal que se fosse observado por todos, nos tornaria nos tipos mais acertadinhos. Até os suíços se roíam de inveja.


 


Quando, por exemplo, um chefe marca uma reunião no escritório para as nove, toda a gente sabe, incluindo o próprio, que a coisa só vai começar entre as nove e meia e um quarto para as dez. É a essa hora e não antes que se devem apresentar os convocados, que só se incluem na condição de atrasados por um mariquinhas lambe botas ter aparecido antes, obrigando depois o desgraçado do chefe a fazer um daqueles discursos idiotas que ninguém liga patavina, só para não parecer mal.


 


Manuel Ribeiro, economista, in Notícias Magazine 


 


 


Faz-nos rir, mas não terá nele algum sentido?

publicado por SSoldado_Lusitano às 17:09
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3 comentários:
De SSoldado_Lusitano a 21 de Dezembro de 2005 às 17:52
Porque iria eu apagar o seu comentário?
De Paulo a 21 de Dezembro de 2005 às 09:36
Abandono escolar em 2004 nos 18/24 anos
UE a 15 17,8%
UE a 25 15,7%
R. Checa 6,1%
Estónia 13,7%
Letónia 15,6%
Lituânia 9,5%
Hungria 12,6%
Polónia 5,7%
Eslovénia 4,2%
Eslováquia 7,1%
Portugal 39,4%

Fonte: eurostat

P.S. Apagar o comentário não apaga a realidade.
De Bastonadas a 19 de Dezembro de 2005 às 10:49
Excelente texto! he he he

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