Sexta-feira, 30 de Setembro de 2005

O Meu País

Esta é a ditosa pátria minha amada?

Um professor de história que tive há cerca de quinze anos – Pereira de Carvalho – apresentou a melhor definição de Pátria que até hoje os meus olhos leram; disse ele, Pátria, é Terra de Antepassados. E é. E não há melhor definição; pelo menos no meu entendimento ou pelo menos por enquanto - também no meu entendimento.


Terra de Antepassados, embora sendo uma expressão formada por poucos caracteres, constitui um universo composto por: pessoas; feitos; ideias e ideais. Tudo o que foram, tudo o que fizeram e tudo o que deixaram por fazer. Que ficou registado, que ficou na história; na história das pessoas do país e nas pessoas de um país com história.


Desde Afonso Primeiro que assim é. Estão lá todos e nós sabemos quem são ou quem foram: os bons, os maus, os menos bons e os muito maus; todos contribuíram para aquilo que hoje somos, todos fazem parte da nossa Terra de Antepassados, da Pátria cantada e enaltecida por poetas como Camões ou “enegrecida e amaldiçoada” por Jorge de Sena. Os dois mostrando sentimento; cada um cantando a sua verdade.


É uma Pátria estranha; esta que herdámos dos sucessores de Afonso. Pelo menos esta que hoje assim se nos apresenta. Pelo menos esta que deixou de moldar os homens em torno de ideais e o passou a fazer, ou a deixá-la fazer, apenas orientado por ideias; pequenas acções de momento, destinadas ao imediato à vista sem terem em conta a abrangência futura, o horizonte lá longe para o qual é preciso levantar os olhos do chão, desagrafando-os de cada umbigo.


É uma Pátria injusta; esta que se rege por nivelamentos negativos – se um tem e outro não, não se dá ao que não tem; tira-se ao que tem. Esta que quer impor igualdades mantendo diferenças; esta que não sabendo honrar os seus heróis, se entretém a produzir mitos de plástico em noites e dias nublados sem nevoeiro; como se Sebastião voltasse ou como se valesse a pena voltar.


É uma Pátria anónima; esta que coloca nas ruas – toponímia – placas de identificação sem dizer quem foram, quando nasceram, quando morreram e o que fizeram para que figurem ali, despertados e entardecidos, mas imortalizados pelo tempo. Não estão todas as ruas e avenidas assim identificadas, mas são muitas; são demais.


É uma Pátria opaca; esta que aplaude a existência de quintas de coisas; de celebridades de plástico; de esquadrões contra natura e outras tantas muitas, infelizmente mais que muitas e demais, ocupando mentes e multidões em distracção de lazer fugaz, em pedradas fúteis e mesquinhas que apenas apelam à parte bruta do ser humano, estupidificando-o ou assumindo-o como já estupidificado.


É uma Pátria hipócrita; esta que se ocupa em discussões abortadas, misturando direitos com deveres; consciência individual com liberdade de decisão; realidade com ficção; dicotomias com simbioses; vida com morte; nascença com vivença.


É uma Pátria inculta e ignorante; esta que vive da memória de impérios desencontrados e de glórias perdidas e passadas, ignorando a história ou esquecendo a memória. Uma história sem memória nunca poderá ser a memória da história.


É uma Pátria afogueada, triste e amargurada; esta que tão bem sabe fingir, que tão bem sabe olhar para o lado, que assobia como ninguém, que se estende ao sol de Agosto, que está (sempre) de consciência tranquila, que se “almofada encadeirado” à secretária, que ensurdece e enrouquece ao telemóvel, que conduz nas estradas melhor que todos e melhor que tudo, eremitando-se e anoitecendo-se em abismos e falésias de praias nuas, que se diluem no voar aleatório de gaivotas desnorteadas, perdidas e desencontradas.


“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, fizestes o que devíeis; ela o que costuma”– Padre António Vieira. É uma verdade ingrata, não é?...como a Pátria!


Talvez esta não seja, “a ditosa pátria minha amada” nem o “torpe dejecto de romano império”; talvez não seja esta a pátria que eu mereço ou que me merece. Mas é esta a minha Pátria; é esta a minha Terra de Antepassados.


António J. Branco

publicado por SSoldado_Lusitano às 00:42
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2005

Mais de mil palavras

andas a roubar imagens.jpg


Não é isso que uma imagem vale?

publicado por SSoldado_Lusitano às 13:33
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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2005

Listas de Espera


O número de doentes que aguardam por uma operação ascende já aos 224 mil, e um ano é o tempo médio que têm de esperar para serem chamados.


O argumento de que há faltas de médicos, não é válido.


 


Pois os portugueses têm conhecimento que os jovens médicos, acabados de sair das universidades, exercem a sua profissão noutros países, especialmente em Espanha. Isto está mal. Ainda por cima quando nos deparamos com estes números.


 


Não podemos continuar a deixar os nossos médicos para segundo plano, e a “importar” médicos estrangeiros, não há necessidade.


 


Há que ter preferência pelo que é nacional, acrescentando também que neste caso os médicos portugueses são de uma qualidade elevada.


 


Mas se não há falta de médicos, porque razão se apresentam estes números?


 


Porque razão quando se vai a um hospital português o médico tem quase 50% de probabilidades de ser espanhol?


 


Será por causa dos sindicatos? Será que o Estado não dá condições necessárias aos jovens médicos portugueses? Será que os ministros são incompetentes?


 


Porque será?

publicado por SSoldado_Lusitano às 17:34
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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2005

Futuro de Portugal

Que futuro queremos para Portugal?


 


Para chegarmos aos dias de hoje é necessário fazer uma incursão na história pátria. Assim, em pinceladas rápidas, vou considerar os seguintes períodos:


 


-         O período de 1128 a 1297 – que é o da fundação de Portugal, alargamento do reino e criação de uma identidade e individualidade próprias, a fim de se formar como entidade geopoliticamente viável.


-         período de 1297 a 1415, em que se dá a consolidação da nação e a germinação do projecto nacional de expansão.


-         O período de 1415 a 1521 (fim do reinado de D. Manuel I), é o período da expansão ultramarina dos portugueses que começou em Ceuta, em 1415, e que atingiu o seu apogeu no reinado de D. Manuel I .


-         O período de D. João III à perda da independência (1580)  onde se verifica a tentativa de destruição do “projecto nacional” e que vai levar à perda da independência sem embargo da tentativa frustrada de D. Sebastião, que tem o seu epílogo em Alcácer Quibir, em 1578;


-         O período que vai de 1580 a 1640, e que é o da dominação filipina, onde se destruiu quase por inteiro o projecto português, se depauperou o reino e se voltaram contra Portugal, alguns países que não eram até então nossos inimigos;


-               O período de 1640 a 1707 (início do reinado de D. João V e fim da Guerra de Sucessão de Espanha); Restauração (que obrigou a mais um período de guerra de 28 anos); e luta política interna; perde-se a maior parte do Oriente e inicia-se o grande desenvolvimento do Brasil;


-         O período de 1707 a 1807 (1.ª invasão francesa), verifica-se um segundo esforço no Brasil, desafogo financeiro e desenvolvimento;


-         Período de 1807 a 1822, ocorreram as invasões francesas, entra em vigor a primeira Constituição Política e dá-se a independência do Brasil, Portugal falha a I Revolução Industrial;


-         Período de 1822-1910, verifica-se:


. guerra civil quase permanente até 1851;


. Portugal “falha” a II Revolução Industrial;


. dá-se o lento “apodrecimento” do regime monárquico;


. revolução republicana e mudança de regime, o qual até hoje nunca foi referendado.


-         período de 1910-1926 – verifica-se a falência política, económica e social da I República; participação algo desastrada na I Guerra Mundial;


-         Período de 1926-1974, em que se deve considerar um sub período de 26 a 32, onde se verifica uma ditadura militar seguida de ditadura financeira e depois política, até que, em 1933 é referendada uma nova Constituição.


 


Seguiu-se:


. Institucionalização do “Estado Novo”;


. Renascimento do espírito nacional;


. Forte recuperação financeira e social e relativa recuperação económica;


. Virtuosismo político e diplomático durante a Guerra Civil de Espanha e a II Guerra Mundial;


. Verdadeiro início da industrialização do país nos anos 50;


. Ataque internacional concertado ao Ultramar português;


 


1974 – ? Revolução do 25 de Abril, III República menos parlamentar que a primeira e mais liberal que a segunda;


. Abandono da vocação ultramarina dos últimos 600 anos;


. Aposta na Comunidade Económica Europeia, mais tarde Comunidade Europeia, depois União Europeia, a caminho de algo que não se sabe muito bem o que vai ser.


 


Após esta síntese histórica, pode-se colocar novamente a pergunta: Que futuro queremos para Portugal?


 


Após o 25 de Abril esqueceu-se um passado quase milenar, é essencial que façamos as pazes com a História, isto é, não se pode meter tudo no mesmo saco e os heróis serem confundidos com os traidores!


 


Em suma,  nós (portugueses) temos que voltar a ter uma Ideia de Portugal e assumi-la!


 


Afirmo ainda as três maiores ameaças para Portugal:


-         o perigo da união ibérica;


-         o federalismo europeu;


-         o relaxamento nacional;


 


Portugal só poderá ter futuro se... continuar a ser Portugal!


 


Garantir a soberania nacional, a integridade do território e a segurança das populações é o objectivo nacional, primordial.


 


Portugal, ontem, hoje e Sempre!

publicado por SSoldado_Lusitano às 17:25
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Sexta-feira, 2 de Setembro de 2005

Regresso

Voltei, espero que gostem do novo visual do blog, bem como das novas actualizações,


o mais novo movimento que adicionei à secção “Movimentos” do meu blog.


M560_1.jpg


Merece uma leitura atenta;


 


e o blog Braga Nacional


 


Agradeço a todos os que me desejaram boas férias, e respondo em forma de artigo a comentário do Abrupto (que se encontra no artigo anterior), com um excerto dum poema de Fernando Pessoa, intitulado Liberdade, que toca também num problema em que Portugal se encontra, a seca:


 


“Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.”


 


O blog está novamente activo.

publicado por SSoldado_Lusitano às 21:05
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