Quinta-feira, 27 de Abril de 2006

Um País anestesiado

Peço desculpa pela ausência, mas encontro-me numa fase de transição a nível escolar e como tal o tempo é escasso para ir actualizando o blog, há poucos dias recebi um e-mail de um visitante do meu blog que me questionava pelo facto de no questionário "Qual o seu partido" (no topo esquerdo do meu blog) não aparecer o partido pelo qual o mesmo simpatizava, pelo que afirmo aqui que foi um lapso da minha parte, contudo agora não o posso acrescentar pois isso iria pôr os contadores a branco novamente, como tal resolvi por baixo do mesmo questionário colocar a página principal do partido em questão.


 


Em relação ao 25 de Abril (e como nada se alterou desde o ano passsado), deixo o artigo que coloquei o ano passado acerca do 25 de Abril


 


Sem mais nada a dizer, deixo ainda um artigo do director do Jornal Semanário, Rui Teixeira Santos


 


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Pela segunda vez em trinta anos, não há greves nem manifestações entre o 25 de Abril e o 1.º de Maio. A primeira vez foi o ano passado, em face da expectativa de um novo Governo e do início de um novo ciclo político. Agora, volvidos 12 meses, a ausência repete-se.



E, quer se queira, quer não, isto implica "arte", gestão da política e das expectativas.



Os portugueses estão melhor hoje que há um ano atrás? Não, não estão: a economia estagnou e o desemprego aumentou.
Os portugueses vão ficar melhor até ao fim do ano? Não, não vão. Só com o aumento do preço do petróleo o desequilíbrio da balança externa vai ser agravado em mais um por cento do PIB. E um por cento era exactamente aquilo que o País previa crescer este ano.
 
Não, este ano, vamos voltar à recessão, com impostos mais elevados. As expectativas do Banco de Portugal, da OCDE e do FMI são ainda optimistas e serão revistas em baixa lá para o Verão de novo. E, pior, se contabilizarmos o efeito dos fundos comunitários, em cerca de 2,5% do PIB nacional, podemos dizer que o desempenho da nossa economia representará, este ano, uma redução de 3,5% relativamente ao previsto. Ou seja, sem contar com os fundos da UE, os portugueses destruirão, até ao final do ano e se não houver engenharias estranhas, pelo menos mais 210 mil empregos, aproximando a taxa para os 10%.



Mas, apesar disso, ninguém protesta. O País está anestesiado, entre a crise do utilitarismo do Estado social, que reduziu as classes médias a pagadores de impostos e de prestações da casa própria, do leasing do carro ou escravos de televisor por divisão, e a impossibilidade da revolta contra a injustiça e as iniquidades deste Estado.



As expectativas?! Sócrates avançou com o anúncio de reformas, com efeitos apenas dentro de uma década.



Portanto, José Sócrates não fez nada, não podia fazer nada, mas beneficia ainda do estado de choque provocado por Manuela Ferreira Leite e pela visível inaptidão dos Governos do centro-direita dos últimos anos.
É Teixeira dos Santos que está a beneficiar da gravidade colocada por Manuela Ferreira Leite na gestão das finanças públicas. E o que se espera do reformismo de Sócrates é que ele não vá assim tão longe.



O segredo de Sócrates tem sido, pois, o ter sido eleito à esquerda e estar a governar exactamente ao centro. Isso neutraliza a esquerda e deixa a direita satisfeita. Ou seja, isso torna impossível a contestação.
O problema dos partidos únicos do tempo da AD converte-se no problema do partido único, eleitoralmente de esquerda e conservador nas reformas.
E, depois, Portugal não é a França, onde os "soixante-huitard" se converteram em membros dos Rotários e do Lyons Club, ou ainda da mais conservadora Maçonaria. Em Portugal, não há jovens para denunciar o conservadorismo da elite dominante, não se exige criatividade, não se exige liberdade.



Não ha um jornal que conteste, não há uma televisão que ouse dizer que o rei vai nu, e que os portugueses estão a empobrecer todos os dias e vão continuar a empobrecer ainda mais. Não há ninguém que diga que é um escândalo o que se passou na Casa Pia, ou com o facto do procurador-geral de República não apresentar contas das escutas telefónicas. Ninguém contestou ou criticou sequer o governador do Banco de Portugal por ter vendido o ouro a menos trezentos dólares, quando já se previa que com o petróleo a chegar aos 100 euros, a onça de ouro vai aproximar-se dos novecentos. É clamorosa a incompetente, se não a negligente, gestão do nosso dinheiro feita pelo Banco de Portugal. Ninguém contabilizou os prejuízos das previsões erradas de Constâncio.



Existem leis, mas ninguém as cumpre. E a primeira lei é a fundamental, a Constituição. E a constituição financeira exige a sustentabilidade das finanças públicas. Ou seja, qualquer lei que crie despesa que não seja sustentável é inconstitucional e assim deveria ser declarada pelo Tribunal Constitucional, cabendo a denúncia também ao Tribunal de Contas. Ora, se é insustentável o esquema de pensões criado pelo professor Cavaco Silva nos anos noventa, se os aumentos dos custos com a saúde são impossíveis, como prova a derrapagem das contas públicas e o défice de mais de 6% que tivemos o ano passado, então significa que a lei de bases da Segurança Social é inconstitucional e também que os direitos consagrados irresponsavelmente no Serviço Nacional de Saúde são inconstitucionais.



E visto nesta óptica não há direito que estejamos a pagar, com os nossos impostos, as pensões daqueles que não descontaram para a Segurança Social aquilo que estão a receber. Não existe nenhuma solidariedade intergeracional em fazer pagar aos que trabalham as reformas de todos aqueles que as recebem.



Foi isto que os portugueses perceberam. Ninguém quer mexer muito e todos sabem que é preciso mexer. É preciso dizer que não só é imoral, nesta conjuntura, reformas acima do ordenado do Presidente da República, como é inaceitável que os reformados não participem no esforço de recuperação da economia portuguesa.



Os portugueses, sobretudo os reformados e os funcionários públicos (onde estava a base contestatária de todos os 25 de Abril e primeiros de Maio), sabem que Sócrates acaba por ser mexer apenas na idade da reforma, porque continua, apesar de tudo, a elite de funcionários a comandar ideologicamente o Estado.



Todos temem um Governo que faça o que se tem que ser feito: reduzir a sempre crescente factura da saúde, apenas aos mais necessitados: reduzir a factura da educação aos alunos e à investigação universitária; e cortar todas as reformas acima de três salários mínimos em trinta por cento, reduzindo todas as pensões por pessoa, a um máximo, representado pelo salário do Presidente da República - mesmo aqueles que o recebem em fundos de pensão privados, revertendo o excedente para o Fundo da Segurança Social.



As elites temem o confisco (e estamos todos recordados que, depois de Vasco Gonçalves, foi o inacreditável Bagão Félix que fez nacionalizações, no caso de Fundos de Pensões), sobretudo, porque ele teria por base uma exigência moral em face das dificuldades dos portugueses.



Cada euro que é entregue ao Estado em impostos é menos um euro em emprego. E portanto, cada euro para salários de funcionários públicos e pensões de reforma da Segurança Social, para saúde e para educação, se não for directamente reprodutivo, é também um desperdício imoral, mas é, do ponto de vista legal, uma inconstitucionalidade, porque ineficiente e insustentável. É isso que os portugueses temem e, por isso, se deixam anestesiar.



E nestes termos, todos estamos conscientes, é fácil governar um país anestesiado. A arte decorre apenas do anestesista. No caso a arte não é do PS nem da esquerda. É apenas de José Sócrates.



Porém, há 32 anos atrás o País acordou de uma longa anestesia. Veremos como acorda desta.


 


por Rui Teixeira Santos

publicado por SSoldado_Lusitano às 20:16
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2 comentários:
Oi ... DAQUI QUINTELA, DO BLOG "ABRUPTO, ATE ver ,,,, Sim, que eu vou assinando os meus comentários, quando escrevo em blogs partidãrios, quer de esquerda, quer de perigosos individuos de EXTREMA DIREITA, QUE É PARA O SIS, VER O MEU NOME, EHEHE .... ASSIM, FICA NA HISTÓRIA DO SIS, QUE UM PAI, QUE ESTÁ PROIBIDO DE VER O FILHO, E CULPA JUIZES DEVIDO A ISSO, FALA COM PESSOAS DE TODOS OS PARTIDOS... E NUNCA NINGUEM LHE FEZ MAL, A NÃO SER ..... JUIZES . . . . . . . . . . . Mas, quando acontecer o mesmo, a algum sujeito do SIS, ou familiar dele, sempre quero ver se gosta , e talvez me dé razão . PORQUE SE SE QUISER JUNTAR A UMA ORGANIZAÇÁO DE PAIS SEPARADOS, PARA PROTESTAR CONTRA O SISTEMA FEITO PELOS JUIZES, NÁO PODE ... ´Sim, está assinado, e podem espalhar á vontade .. A não ser que eu va preso, por dizer a verdade , só falta isso . . . . .. . . . . . OS HOMENS DAS FORÇAS DE SEGURANÇA QUE SE QUEREM JUNTAR AOS MOVIMENTOS COMPLETAMENTE LEGITIMOS, POIS APARECEMOS EM JORNAIS, ETC, ETC, FUI CONSIDERADO UMA DAS PESSOAS DO ANO , PELA MINHA FRONTALIDADE, E POR TER PEDIDO A DEMISSÁO DE UM CERTO JUIZ, PUBLICAMENTE , EM VÁRIOS JORNAIS, .... DIZIA, OS HOMENS DAS FORÇAS DE SEGURANÇA, NÃO SÓ FICAM SEM OS FILHOS, OU SÓ OS PODEM VER DE 15 EM 15 DIAS, COMMO NÃO PODEM SE JUNTAR A NÓS .. JÁ VÁRIOS PEDIRAM, E É SEMPRE RECUSADO . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
E people, que seja casado com exs (maradas !, ) de outros homens, não se voltem contra eles . Ok ? . . . . . .. . Obrigado, blogguer, pelo teu post sobre o 25 de abril . Aprovei bem melhor, que muitos, ahh ? ..... Desculpa não ter visto que tinhas um link para o meu blog . Já retribui . VIVA A LIBERDADE : VIVA O 25 DE ABRIL, TODOS OS DIAS e não 4 apenas .... DEIXEM AS CRIANÇAS PORTUGUESAS, VEREM OS PAIS, MESMO QUE AS EXS (MARADAS) E OS JUIZES NÃO CONCORDEM . DEIXEM OS HOMENS DAS FORÇAS DE SEGURANÇA, SE UNIREM AOS MOVIMENTOS DE PAIS , E LUTAREM, PARA .... AMAREM OS FILHOS .... 25 de abril, ora essa .
De O Restaurador a 1 de Maio de 2006 às 10:56
I Encontro de Blogues de Vila Viçosa

Dia 22 de Julho venha até Vila Viçosa conviver com os seus amigos, traga a sua família, tenha a oportunidade de se maravilhar com a beleza de Vila Viçosa, passe um dia diferente no I Encontro de Blogues de Vila Viçosa!

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