Sexta-feira, 10 de Junho de 2005

10 de Junho

Como chegamos ao dia da nação?


O Dia de Portugal comemora-se actualmente a 10 de Junho, data da morte de Luís de Camões. Mas nem sempre foi assim.


A Institucionalização de carácter permanente vem dos tempos do Estado Novo.


Pode ressaltar a ideia que antigamente a nacionalidade não se celebrava. Contudo, não se tratava disso. Desde que Portugal é país tem sido indispensável lembrar factos autênticos ou períodos decisivos da nossa biografia. E para qualquer dos casos, está o calendário histórico nacional recheado de datas comemorativas.


São os casos, entre outros, do 5 de Outubro, dia da Implantação da República, e do Primeiro de Dezembro, celebrando a Restauração de Portugal. Esta última data é sem dúvida mais consensual, na medida em que manifesta a vontade generalizada de libertação de um poder estrangeiro, no caso espanhol.


O fundador do País


Mas a substância do termo nacionalidade liga-se obrigatoriamente ao país e à sua especificidade. Não havendo país, é pouco provável que se venha a desenvolver qualquer tipo de consciência de identidade.


Reunindo consenso entre a maioria dos historiadores, julga-se provável que Afonso Henriques, nosso primeiro Rei, tenha evidenciado, pela primeira vez, um agudo sentido de identidade... nacional. Quer isto dizer que, embora Portugal não fosse, na altura, mais do que um pequeno condado, enquadrado num espaço físico aonde cabiam também Galiza, Leão e Castela, o filho do Conde D. Henrique ter-se-á então apercebido do propósito político de uma determinada faixa geográfica litoral que viesse a prolongar-se até ao limite sul, deixando, como é óbvio, os espanhóis de fora. Por audácia, superioridade guerreira e, há quem diga, despeito à família de sua mãe, isto porque já nessa altura via claro o traçado de um caminho conjunto, fora da vassalagem ao Imperador leonês, Afonso VII. De facto, o Príncipe foi escolhido e eleito pelos barões e nobres para levar a bom termo o objectivo de independência.


O princípio da nacionalidade


Portugal não começou, nem se fez, num dia. Algumas datas, com os seus marcantes eventos, ajudam a visualizar a romântica, ainda que em certo sentido, fictícia, aurora da nossa nacionalidade.


Uma delas é o dia de S. Mamede, a 24 de Junho de 1128 – Afonso Henrique enfrenta as tropas de sua mãe e sai vitorioso. O local da batalha é referido como próximo de Guimarães, daí que ainda hoje seja referido como o berço da Nação.


Outra data é 24 de Julho de 1137, quando se dá a importante Batalha de Ourique. Recheada de conteúdo místico, verdade inclui a vitória do Príncipe portucalense derrotando as forças muçulmanas e confirmando a linha de fronteira cem quilómetros para sul. Uma e outra conjugam-se para traçar o plano de independência do futuro país.


É indiscutível que Afonso Henriques encarnou o visionário da nação portuguesa como território pertencente a um povo, destinado a uma história exclusiva. Se para alguns ele foi um anjo que comunicava com Deus, para outros foi um valente e sanguinário guerreiro. O que interessa é que os alicerces de Portugal ficaram montados. Portugal esse que se mantinha ainda projecto. O Rei português percebe que só jurando vassalagem a Roma alcançará o objectivo pretendido e de facto a independência vem a ser formalmente reconhecida em 1179, pela Bula Papal Manifestis Probatum.


Depois do princípio Estas são as referências que nos levam aos primórdios do sentimento de nacionalidade. Sabe-se que os reis seguintes continuaram a defender e a alargar as fronteiras, numa luta renhida contra os muçulmanos e contra Castela. As grandes crises de Independência, primeiro em 1383-85 e mais tarde em 1580-1640, vieram realçar a consciência de país. Com raízes na estima da nação, este sentimento de nacionalidade sustenta-se num profundo reconhecimento de um destino que contém uma mesma língua, raça, território, cultura e ambições políticas.


A resolução da primeira grande crise, com subida ao poder de D. João I e o arranque da segunda dinastia é a comprovação de uma já enraizada convicção de unidade. É com este Rei que uma das maiores proezas de Portugal se resolve e inicia. Segundo alguns historiadores, "a epopeia dos Descobrimentos veio a mudar o curso da história mundial e consagrar-lhe lugar destacado no Mundo".


Camões e a nacionalidade


Por outras mui nobres palavras, os Descobrimentos vieram "dar novos mundos ao Mundo". Trazem a fama, fortalecem a ideia de união e objectivo comum. Pode ser apenas uma interpretação; para além dos Descobrimentos e para além da História, Portugal permanece. Mas a epopeia transforma-se em ícone, símbolo da grandeza da nação. Pelo menos durante um tempo. Quando Luís Vaz de Camões nasce, ninguém sabe exactamente onde, nem em que data, mal se imaginavam as consequências da futura batalha de Alcácer Quibir. O poeta leva vida de aventura e boémia mas projecta a Língua Portuguesa além mar. Terá perdido um olho em Ceuta e ter-se-á milagrosamente escapado de um naufrágio, trazendo ao Rei D. Manuel o seu poema épico.


Ainda em vida é-lhe reconhecido o mérito, passando a receber uma tença régia de 15 mil reis, que se supõe, gastaria na boémia. As suas últimas palavras terão sido qualquer coisa como "Morro com a Pátria!". No dizer dos mais sensíveis, assim aconteceu. Deixou vasta obra que o consagra como dramaturgo, um dos maiores poetas de toda a terra, cultor da Língua Portuguesa, génio imortal. E, tal como os honrosos feitos das Descobertas, Luís de Camões torna-se o ídolo da nacionalidade, memória recorrente sobretudo em tempos de crise.


Seguem-se os anos negros de domínio espanhol. A Independência, em 1 de Dezembro de 1640 veio mostrar que, afinal, havia ainda "que cumprir Portugal". Camões já não estava cá para assistir, mas Portugal avança de novo. Rodando no tempo, passando da Monarquia à República, cruzando crises e regicídios, a nacionalidade está afirmada.


O conceito de nacionalismo


Já durante a monarquia, o poeta era o emblema de um Portugal conquistador e grandioso. No tricentenário da sua morte houve direito a festejos de arromba, com a trasladação das ossadas para o Mosteiro dos Jerónimos. A esta cerimónia assistiu a família real, ainda que com certa relutância. Não admira, pois o facto foi politicamente aproveitado. O Partido Republicano, em atitude temperada por pontual saudosismo, visava lembrar o Poeta e, simultaneamente, o país antigo. Era uma crítica camuflada mas possível.


O conceito moderno de nacionalismo é discutível e ambíguo, facilmente aproveitado para fins diversos. No Estado Novo confundia-se com o orgulho de uma raça que se cria de ascendência comum, mas se fazia abertamente ligar a princípios extremistas ou fundamentalistas. Terá sido relativamente fácil e conciliatório pegar na empolgante figura de Luís de Camões e transformá-lo no símbolo português de referência.


Como facto político, as comemorações do Dia de Camões não vieram a ter continuidade. Durante a República por exemplo, o 10 de Junho celebrou-se mas sem carácter permanente.


Datas e festas


Outras datas e festejos se conjugaram para comemorar o espírito da nacionalidade. As comemorações henriquinas são outro exemplo, e o Infante D. Henrique mantém actualmente um alargado leque de admiradores, ainda que com direito a controvérsia. É também durante o Estado Novo, que se celebram os 500 anos da morte do Infante com programação diversificada, tendo como destinatários todos os portugueses, incluindo emigrantes e até estrangeiros. Pretendia-se a divulgação da grandiosidade do passado. Na sombra ficavam os interesses colonialistas.


Em 1944, na cerimónia de inauguração do Estádio Nacional, Salazar refere o dia 10 de Junho como o Dia da Raça. Mas a designação é discutível e não perdura. Já em 1960, em pleno colonialismo e crise, iniciam-se as cerimónias de condecorações aos feridos e mortos na Guerra do Ultramar. À luz de qualquer democracia, estas iniciativas são significativamente tristes e hipócritas. Foi apenas no seguimento da Revolução de Abril que o dia da morte de Camões veio a conjugar-se com os festejos da nacionalidade mas num conceito alargado. Actualmente, o dia 10 de Junho é chamado de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas. Há quem admita que assim se poderá dar um maior reconhecimento a todos aqueles que espalham o nome português pelos quatro cantos do Mundo. Ao contrário do antigo vigente conceito nacionalista exacerbado, hoje o relevo é dado ao emigrante. Para alguns, eles são o claro sinal da moderna expansão portuguesa.


Constança Vaz Pinto in Correio da Manhã 2001






http://www.instituto-camoes.pt/escritores/camoes/diaportugal.htm






Hoje é o dia de Portugal!


Portugal Sempre!

publicado por SSoldado_Lusitano às 18:28
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3 comentários:
De Pantera a 15 de Junho de 2005 às 17:27
caro amigo já aceitou o convite que lhe mandei????Aceite rápido......só tem uma oportunidade,caso contrário tenho que lhe mandar outro convite
!!

Cumprimentos!!!
De SSoldado_Lusitano a 14 de Junho de 2005 às 13:47
"JÁ PENSAS-TE K SO DIZES MERDA!", ora eu em todos os artigos que coloco neste blog, refiro sempre Portugal, logo estás a colocar o nome de Portugal ao nivel de..., é um pouco caricato da tua parte, pois também deves ser português. Realmente Alfragide não é longe, é apanhares o avião para cá, fico também descontente por apenas conseguires comentar no meu blog através de ad hominem, o que revela bastante o teu carácter. (Da poróxima vez que comentares o meu blog, não precisas de gritar, eu consigo ler sem o Caps Lock)
De SIIMMM a 12 de Junho de 2005 às 21:44
FDX ÉS MSM OTARIO PUTO DO CARALHO. JÁ PENSAS-TE K SO DIZES MERDA! SÓ FALAS SÓ FALAS FDS DÁ A CARA CABRAÕ DO CARALHO ALFRAGIDE N E LONGE OTARIO

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