Segunda-feira, 1 de Agosto de 2005

União Ibérica II

E aqui vai mais um artigo (algo antigo)...


 


Diferenças profundas




 


A mais recente polémica sobre a questão da nossa nacionalidade ser posta em causa e passar a ser assimilada por Espanha, não passa duma problemática portuguesa mais propriamente de alguma elite cultural e económica.


 


Devido à minha experiência académica e à minha vivência com a sociedade espanhola, o tema da perda da nacionalidade portuguesa para Espanha não é discutida ou conhecida no meio universitário, nem comentada pelos órgãos de comunicação social.


 


Neste momento, a sociedade espanhola está, fundamentalmente, atenta às eleições gerais de Espanha e de Andaluzia, que se vão realizar em Março de 2004, às consequências do plano Ibarretxe no País Basco e em Espanha e à situação política pós-eleitoral na região da Catalunha, com um provável incremento no extremar do nacionalismo catalão.


 


Naturalmente, a questão duma eventual junção da nação portuguesa com o estado espanhol é para Madrid, e para o resto das comunidades espanholas, algo irrelevante se for, eventualmente, debatido. De uma forma geral, os aspectos políticos e sociais de Portugal são pouco conhecidos (e alguns mesmo totalmente desconhecidos) em Espanha.


 


Relativamente ao conhecimento cultural que Espanha tem sobre Portugal ele é, com algumas devidas excepções (como Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, José Saramago, António Lobo Antunes, Mariza, Dulce Pontes,


 


Madredeus, entre outros), pouco conhecido e principalmente pouco divulgado quer pelo estado português quer pelas entidades privadas.


 


É no desporto que temos alguma visibilidade. O futebol é um meio fortíssimo de dar conhecimento e notoriedade a um país. Luís Figo, com a sua passagem por Barcelona e presentemente pelo Real Madrid, foi fundamental para esse efeito a partir de 1995. Actualmente, a divulgação de Portugal tem mais um instrumento humano, denominado Carlos Queiroz. Já anteriormente, as campanhas europeias vitoriosas do Benfica e de Eusébio nos anos sessenta, o ciclo vitorioso do F.C. do Porto na Europa e no Mundo em finais dos anos oitenta e o posterior ingresso de Paulo Futre no Atlético de Madrid foram importantes para o marketing de Portugal.


 


No século XX, houve vários momentos em que se pode afirmar que alguma parte da elite política espanhola pensou, de uma forma superficial, numa possível anexação de Espanha a Portugal, o chamado "Perigo Espanhol".


 


Estes momentos históricos ficaram confinados durante a década dez, com alguma colaboração do Rei Afonso XIII, durante a II República Espanhola, com o beneplácito de Manuel Azaña, e com a tentativa da Falange e da pressão militar Espanhola para anexar Portugal, onde a partir do encontro de Franco, Serrano Suñer e Salazar, em Sevilha no ano de 1942, a "cobiça" a Portugal ficaria definitivamente afastada.


 


A grande conquista que Espanha teve em relação a Portugal foi sem dúvida a económica. O investimento que fizeram em Portugal, a partir dos anos noventa, e a influência que possuem actualmente na economia, não é comparável em nenhuma época da história dos dois estados ibéricos.


 


Os empresários e os políticos espanhóis vêm Portugal como uma extensão económica do mercado Espanhol, já saturado em alguns sectores. Não querem mais problemas políticos e sociais, que existiriam numa inevitavelmente combinação jurídica das nações na Península Ibérica. É muito mais fácil investir em Portugal, com o nacionalismo adormecido, e retirar os dividendos respectivos, do que acordar um provável nacionalismo português, numa possível União Ibérica, com repercussões graves em termos económicos.


 


Os Portugueses e os Espanhóis têm diferenças mais profundas que se possam imaginar, diferenças essas que ressaltam numa abordagem mais pormenorizada. Como comentava com um professor Espanhol; em Portugal era impossível uma Guerra Civil terminar com um milhão de mortos, haveria rapidamente um consenso.


 


Portugal não pode fugir aos vários problemas económicos, sociais e políticos com que se está a deparar e pensar que os resolve com uma eventual aliança com Espanha. Há que compreender as nossas fraquezas, que são muitas, valorizar os nossos pontos fortes, que são igualmente muitos, e principalmente aglutinar todas as nossas características para delinear um verdadeiro, coeso e real objectivo nacional.


 


Todas as nações têm pontos fortes e fracos. Os espanhóis estão a compreender e a suprimir os pontos fracos, e a apreender e valorizar os pontos fortes.


 


Nós temos e devemos fazer o mesmo se quisermos sobreviver como Nação Portuguesa.


 


Penso que se, ainda, existe a nossa capacidade de conhecer, evoluir e "humanizar" temos, então, a obrigação de existir como País.


 


In Expresso 

publicado por SSoldado_Lusitano às 03:41
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